Festividades do Senhor Santo Cristo dos Milagres

por Bruna Valério

Pondo em pausa a minha longa, devo confessar, exposição sobre a Arte Namban, este mês venho falar de algo que faz parte da História dos Açores, mas certamente terá maior expressão na ilha de São Miguel. Falo claro, da festa do Senhor Santos Cristo dos Milagres, cuja celebração se aproxima. Diz a tradição que o barco onde esta imagem era transportada naufragou, tendo a imagem como que por milagre encontrado o seu caminho para terra. Devido a estas circunstâncias do seu aparecimento desenvolveu-se, em trono desta imagem, um culto tão forte, que não desvaneceu ou enfraqueceu com o tempo.
Ligada às Festividade do Senhor Santo Cristo dos Milagres temos um nome que ficou para sempre ligado a esta imagem: Madre Teresa da Anunciada, é em Jesus Cristo, na sua representação de madeira deixada ao abandono que dedicou grande parte do seu tempo, da sua fé e do seu amor. Foi a responsável pela valorização que tem hoje em dia, fazendo de seu objetivo fazer crescer a crença na mesma através da construção uma capela digna para seu culto, lentamente foi pedindo dinheiro, esmolas e ofertas para fazer desse sonho uma realidade, e ao mesmo tempo embelezar a pobre imagem.
É graças a Madre Teresa da Anunciada a quem se devem as tradições que ainda hoje persistem. Como exemplo disso tempos a festa e a procissão em sua honra, como forma e oportunidade para o crentes o adorarem. Um acontecimento que foi ganhando cada vez mais força, “A homenagem do povo, das forças armadas, os tapetes de flores, todo o brilho dado à celebração sã manifestações de fé, expressão de amor e devoção ao Senhor que é Rei dos corações e das almas, das pessoas.” Ou seja, vemos que as pessoas aderiram a esta iniciativa, à missão de Madre Teresa da Anunciada, dando-lhe a celebração e a adoração que esta sabia que a imagem merecia.
Madre Teresa da Anunciada não foi a única, nem a primeira a interessar-se por a imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres, esse protagonismo pertence a Joana, que pressentiu algo de sobrenatural na imagem. No entanto, com o passar do tempo esta missão tornou-se grande parte da vida de Teresa.
Independentemente de quem terá começado, de quem se terá interessado pelos poderes desta imagem, é inegável que ainda hoje, esta manifestação religiosa é uma das mais fortes nos Açores, uma que começou devido ao mar e a um naufrágio. É de notar que é uma tradição que acaba por ser internacional devido aos emigrantes que embora longe fisicamente fazem sempre por marcar a vivência do país para onde foram, como Canadá e Estados Unidos da América.
Para aprofundamento do tema:
  • LALANDA, Maria Margarida de Sá Nogueira, Considerações históricas sobre a Madre Teresa da Anunciada, in Arquipélago – História, Ponta Delgada, Universidade dos Açores, 2005, pp. 275 – 308;
  • S. A., Vida e Virtudes da Madre Teresa d’Anunciada, Ponta Delgada, s. e., 1987;
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