Compondo uma canção, parte II

Se bem se lembram, da última vez escolhemos a tonalidade de Sol M. O passo seguinte seria escolhermos a progressão de acordes mas para isso é conveniente termos a noção de frase musical.

As frases musicais não têm que coincidir com as frases textuais e ocorrem quando há uma progressão de acordes que termina numa cadência (i.e. final, pode ser visto como pontuação). As cadências podem ser conclusivas ou suspensivas. Seguem-se alguns exemplos:

Nota: A numeração romana corresponde ao acorde sobre esse grau dentro da tonalidade, ou seja, em Sol M: o acorde V7 será Ré M de sétima (D7) porque sendo Sol o 1º grau da tonalidade, então Ré é o 5º.  IV = C (Dó M) e iv = Cm (Dó m)

Conclusivas:

I IV V7 I (em Sol M corresponde a – G  C  D7  G) – Esta é a progressão mais comum e afirmativa

I IV I       (G  C  G) – Não tão conclusiva, preferivelmente usada para “confirmar” o fim da peça.

I V7 I

Suspensiva – I V

Interrompida – I V7 vi (G  D7 Em) – Soa decetiva porque o ouvido espera ouvir a resolução do acorde V7 que acaba por resolver num acorde “inesperado”.

É de notar que o que está a ser exposto são normas e não regras pelo que alterações podem ser feitas. P.ex. o IV pode ser menor (iv) ou pode ser substituído por um ii ou II (em Sol M será Am ou A), o V pode ser menor (v), etc.

Tomarei como exemplo a progressão I IV I V7 vi ii V7 I (em Sol M será – G, C, G, D7, Em, Am, D7, G) e vou assumir que a canção será estrófica (ou seja, repete-se a progressão para letra diferente) e terá duas estrofes.

Dependendo de cada um, inventar uma melodia poderá ser muito fácil ou muito difícil. Caso não seja possível “inventar” uma melodia improvisadamente enquanto se ouve os acordes (talvez até já com texto) pode-se tentar seguir a nota mais aguda dos acordes. Em último caso é de ter noção que os acordes são compostos no mínimo por 3 notas sendo que mais comummente têm 3 ou 4 (caso dos acordes de sétima). P.ex. o acorde G é composto por Sol, si e ré. Sem entrar em grandes detalhes, é possível dizer que qualquer melodia que passe frequentemente por essas notas e passe por outras como ornamento enquanto soa esse acorde “soará bem”. Não há regras. Se o leitor está acostumado a ouvir música e até a cantar enquanto toca então o seu ouvido será capaz de distinguir o que soa bem do que não soa.

Para adicionar interesse, na segunda estrofe podem-se alterar ligeiramente os acordes tornando o vi em VI pouco antes de resolver em ii, ou tornando ii em II ou possivelmente até em II7. Também é possível acrescentar, após a progressão normal, uma nova cadência I IV I (ou I iv I), por exemplo. O limite de variedade reside nas ferramentas disponíveis e estas são adquiridas através de experimentação.

Para finalizar apenas recomendo, para uma melhor perceção do texto, que, quando há mudança de acorde, a sílaba que coincide com a mudança seja a sílaba tónica da palavra em questão. Caso contrário, a acentuação torna-se “estranha” (podendo até ser esse o objetivo) como acontece, por exemplo, na canção Os maridos das outras (http://www.youtube.com/watch?v=D-q3jaELQeo) logo no início (toda_a gente sabe que_os hom*ens*).

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