Precisam os Professores de uma Prova para Serem Competentes?

A chamada prova de avaliação de competências dos Professores, dada a sua questionada pertinência, tem gerado enormes controvérsias, não só no âmago do grupo profissional dos professores mas também noutros domínios sociais. São várias as questões que obrigatoriamente precisam de ser colocadas para se compreender o sentido da realização desta prova. Qual é a finalidade da realização desta prova? Que competências específicas se pretendem avaliar? Porque é que a realização da prova tem um custo, e porque é que o mesmo é de vinte euros? Qual ou quais as razões para a realização da prova neste momento? Em sentido mais lato, será essa avaliação legítima?

Os Professores, (escrevo com um “” Maiúsculo, em homenagem à grandeza do papel de educar), para exercerem a sua profissão foram obrigados a frequentar programas de formação, designadamente, licenciaturas, mestrados e até mesmo doutoramentos, em instituições de ensino acreditadas, não só pelo Ministério da Educação, mas também por outras entidades competentes, reguladoras da qualidade do ensino que obrigatoriamente essas instituições têm que garantir. Se essas instituições são obrigadas a garantir níveis de rigor e de excelência no quadro da formação e do desenvolvimento dos cidadãos, parte-se do princípio que os docentes obtiveram uma formação de excelência, reconhecida e prestigiada, conferindo-lhes as ferramentas necessárias para exercício das suas profissões e a respectiva legitimação desse exercício. Nesta óptica, foram avaliados no âmbito dos respectivos programas de formação, submeteram-se a inúmeras provas de avaliação, provas essas que tiveram como objectivo, avaliar diversos tipos de competências e de conhecimentos, com vista à preparação dos, enquanto alunos, para o exercício da docência.

Prof

Propor a realização de uma prova de avaliação de professores, tendo os mesmos sido submetidos a diversos momentos de avaliação no âmbito das instituições de ensino frequentadas, não colocará em causa a qualidade do ensino, os pressupostos de rigor cientifico e pedagógico ou até mesmo a qualidade do corpo docente dessas instituições? A reflexão sobre esta questão permite-nos fazer um exercício de análise acerca da função social das instituições de ensino e compreender o impacto que as mesmas têm na formação e no desenvolvimento dos seus diplomados. Obrigará talvez a uma análise dos conteúdos temáticos e dos planos curriculares referentes às áreas científicas da educação, mas que, como se sabe são providos da mais elevada credibilidade e qualidade. Questionar a competência dos professores/educadores é questionar a escola pública e as políticas públicas que nesta dimensão são levadas a cabo.

Analisando e esta questão de outro prisma indagamo-nos sobre a forma como os professores são avaliados e compreendemos desde logo que a avaliação dos mesmos está longe de se confinar a uma prova de avaliação. Diariamente os conhecimentos e as competências dos professores são avaliados por um conjunto de agentes sociais. O desempenho dos professores tem impacto directo no processo de aprendizagem dos alunos, acima de tudo no processo de desenvolvimento e de estruturação da sua cidadania. Importa também destacar o papel dos pais na avaliação dos professores enquanto encarregados de educação e que depositam a sua inteira confiança na competência dos docentes para a educação dos seus filhos. Ora se os encarregados de educação confiam nas competências dos docentes para o desenvolvimento da sua aprendizagem precisam os mesmos de ser submetidos a uma prova de avaliação? A legitimação e a validação das competências dependem de um conjunto de questões codificadas numa prova? Em virtude do papel central que os docentes desempenham no processo educativo e na construção da cidadania não só dos seus alunos mas também dos restantes membros da comunidade escolar e educativa, a sua prática profissional reclama a aplicação constante e sistemática de todas as competências necessárias que legitimam essa mesma prática, tendo sido elas adquiridas quer por via da formação académica e profissional quer por via do próprio exercício profissional, enquadrado no largo espectro de relações sociais que diariamente protagonizam no contexto onde se inserem.

Professores

Alvo de reflexão e de análise é o valor imputado aos docentes para a realização da prova. Importa questionar porque é que a realização da prova tem um custo e porque é que esse custo é de vinte euros. Para além de, na minha perspectiva, não encontrar razões fundamentadas para a realização da prova, também não consigo compreender a razão pela qual os docentes terão que pagar para, neste caso, serem avaliados, uma vez que já suportaram todos os custos inerentes à sua formação. Não deixa de ser controverso que os mesmos terão de pagar para realizarem uma prova, pois no entendimento e na cabeça de alguns “alguéns”, a competência dos docentes jaz algures numa mera folha A4, composta por questões que dubiamente irão medir um nobre papel, o de educar.

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