Música em Versailles

De vez em quando “descubro” a música de um compositor. “Descubro” entre aspas porque ela sempre esteve lá e eu sabia disso, apenas nunca tinha prestado atenção. Tal coisa aconteceu há pouco tempo quando vi o filme “Le Roi Danse” que retrata momentos da vida de Jean Baptiste Lully na corte do Rei Sol.

Este compositor florentino, nascido Giovanni Battista Lulli em 1632, veio a França inicialmente ensinar italiano a Anne Marie Louise d’Orléans que foi a principal responsável por trazer o jovem músico para a corte francesa.

Desde então o poder de Lully cresceu continuamente. Começou por atrair a atenção do rei  dançando com ele nos ballets reais e sucessivamente tornou-se compositor real de música instrumental, superintendente da música real, mestre de música da família real, e finalmente superintendente da música da câmara do rei.

Colaborou com Molière a partir de 1661 (mesmo ano em que se tornou francês) na criação da nova forma musical comédie-ballet (peça de teatro com comédia, música e dança) destacando-se daí Le bourgeois gentilhome. É de notar que Louis XIV frequentemente desempenhava papéis e dançava nestas peças.

Esta colaboração durou até 1672, ano em que Lully adquire o monopólio da ópera francesa. Tendo o controlo da Académie Royale de Musique, era o único que podia compor tais obras com mais de dois cantores e seis instrumentistas (tendo convencido o rei a aumentar a anterior restrição) e aí estreou a primeira tragédie lyrique, (género de ópera francesa que inclui dança) Cadmus et Hermione. Isto surge num momento oportuno uma vez que a idade do rei já o fazia abandonar o ballet e procurar outros entretenimentos.

Ainda descontente, persuadiu o rei para poder usar o Théâtre de Palais-Royal sem custos apresentando aí, primeiramente, a ópera Alceste. No entanto em 1683, com a morte da rainha Marie- Thérèse, Louis XIV desinteressou-se pela ópera e mostrou-se aborrecido com Lully devido aos seus encontros homossexuais.

Para além de contribuir para a música com as suas obras, a abertura francesa e técnicas de interpretação orquestral, é de notar que Lully exercia o seu poder de forma violenta tendo (ou assim se diz) chegado a partir os violinos dos violinistas que não tocavam de forma correta nas suas próprias costas ou pontapeado uma grávida até a fazer ter um aborto.

E como parece acontecer com quem tem demasiado poder e dele abusa, Lully sofreu uma morte pouco gloriosa (apesar de não envolver uma queda de uma cadeira…). Na altura era comum dirigir-se as orquestras com um bastão para marcar o tempo batendo no chão e, dirigindo o seu Te Deum em 1687 para celebrar a recuperação do rei de uma cirurgia, Lully acertou no seu pé, provocando-lhe uma gangrena que o matou uma vez que recusou que lhe amputassem a perna.

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